Nova gente para um novo mundo?

Nova gente para um novo mundo?

“A revolução da informação vai capacitar os indivíduos e democratizar tudo”, Steve Jobs

A tecnologia avança de tal forma que embora ainda estejamos longe de ter uma Rosie – a empregada doméstica robô dos Jetsons, família futurista (2062) do desenho animado, sucesso nas décadas de 1960 e 1970 -, muitos modelos de limpeza para casas e apartamentos já começam a disputar o mercado. Os veículos robóticos ou carros sem motoristas estão em ascensão e a possibilidade de carros voadores já começa a ser cogitada por uma parte da indústria.
As mudanças em nossa era estão acontecendo de maneira tão rápida que você pode acordar amanhã e não reconhecer mais o mundo em que vivemos. Máquinas inteligentes, conexão global, ecologia das novas mídias (as relações/conexões/implicações entre elas), escalabilidade, longevidade, mundo computacional, economia exponencial. São as chaves que nos mostram que esse “novo mundo” está à nossa porta. Segundo o professor, consultor e palestrante Adeildo Nascimento, especialista em Desenvolvimento Humano e autor do livro “Inteligência espiritual no mundo do trabalho”, um mundo novo exige um novo RH (Recursos Humanos).
Em um minievento, durante o Suespar, Nascimento falou de coisas que estamos ouvindo insistentemente, como a Indústria 4.0, que inclui robôs autônomos, simulações, integração de sistemas, internet das coisas, computação em nuvem, impressão 3D (manufatura aditiva), realidade aumentada e big data. Entretanto, mais do que nos falar que empregos as máquinas vão nos roubar, ou qual o paraíso ou o inferno que esse “admirável mundo novo”, com suas tecnologias extraordinárias, pode provocar, Nascimento frisou o tipo de pessoas que precisaremos ser para viver nesse redenho de mundo.
As manchetes em jornais já dão o tom dessas mudanças: “Robô faz em segundos o que levava 360 mil horas para um advogado fazer”, “ ‘robôs jornalistas’ que transformam dados em textos chegam à redação”, “Hospital vai utilizar Watson Oncology”. Em contraponto: “Um milhão de vagas de gerente foram eliminadas na última década”, em virtude de corte de custos, informatização e fusões.
O que vai acontecer? Quais profissões vão sobreviver? Ninguém tem certeza de nada. Segundo Nascimento, o que se observa é a queda de grandes empresas tradicionais, que sofreram por não perceberem as mudanças. E elas tinham algo em comum: o orgulho. “Como não se ensina nada para quem já sabe tudo, essas empresas se fecharam sobre o seu sucesso e não viram as mudanças. Seus executivos não acreditaram nos sinais que o mercado estava emitindo”, observa Nascimento.
O palestrante acredita numa coisa: a palavra-chave é humildade. Em um mundo em que, brevemente, computadores quânticos serão capazes de resolver, em segundos, problemas que levariam até bilhões de anos para o mais potente dos supercomputadores atuais, o que restará para o ser humano fazer? Sim, aqui também entra o Ócio Criativo, de Domenico de Masi, em que se espera mais tempo de lazer para os humanos, uma vez que a tecnologia pode trabalhar a nosso favor. Entretanto, Nascimento destaca que a grande diferenciação entre os homens e as máquinas serão questões como crença e valores. Entre eles, confiança, liberdade, espírito de equipe, ousadia, honestidade, modéstia e capacidade de diversão.
O que restará para o homem? Paixão, propósito e vocação. Ele terá de descobrir: “onde as necessidades do mundo se cruzam com as suas capacidades e possibilidades”, porque aí estará a sua vocação. Nessa transição, se darão bem, as pessoas (e as gerações mais novas levam vantagem) que privilegiam os soft skills, em contraponto aos hard skills. Qual a diferença? Os hard skills privilegiam os diplomas/ o currículo. Os soft skills privilegiam o aprendizado. São os chamados nativos digitais, aqueles que nasceram depois de 2000.
A capacidade de aprendizagem e de adaptação dessa geração, segundo Nascimento, é incrível. Há um certo preconceito das gerações mais velhas em relação a eles. Entretanto, as duas podem conviver, lembrando-se daquele velho ditado: o mundo não começou com os mais jovens, nem vai acabar com os mais velhos. A era em que vivemos exige colaboração. Mais que isso: exige mudança de modelo mental. A atitude mental com que encaramos a vida, nosso mindset – conceito desenvolvido por Carol Dweck, professora de psicologia na Universidade Stanford e especialista em sucesso e motivação -, vai determinar a nossa adaptação, ou não, a novos cenários, cada vez mais desafiadores.
Isso significa que seremos cada vez mais exigidos em todos os campos, em todas as áreas. A fórmula será não se prender a fórmulas, como a maioria de nós está acostumada. “É bom lembrar que o futuro aguarda robôs que vão imitar gente, não gente que imite robôs”, frisa Nascimento. A dinâmica das empresas vai mudar, já está mudando. De acordo com o palestrante e consultor, as hierarquias começam a e a sociocracia começa a operar em várias organizações. “Situações em que as equipes são ouvidas e têm peso igual, tendo apenas um líder, que pode ser rotativo, organizando as decisões, tende a aumentar cada vez mais. Esse processo ainda será lento para muitas instituições, especialmente, as mais tradicionais. Porém, não terá volta”, acredita. O conselho para as empresas que queiram sobreviver é que aos poucos já comecem a trabalhar sua cultura, seus símbolos, sistemas e modelo mental. “O que inclui, por exemplo, a diminuição de diferença salarial entre o primeiro executivo e o estagiário da empresa”.

 

Agenda da transformação 

“Gestão para Transformação: agenda em cenários de mudanças exponenciais”, foi o tema da plenária da manhã do dia 9 de junho, coordenada por Alexandre Bley, diretor de Mercado e Comunicação, da Unimed Paraná. O palestrante, o consultor Jairo Martins, da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), fez um painel geral de Cenários e Tendências, Gestão para Transformação, a nova agenda da Liderança e o Roadmap da Transformação. Martins frisou que excelência requer constante transformação e, nas palavras de Eric Ries, da Startup Way, repetiu: “Tudo isso requer o desenvolvimento de uma nova capacidade organizacional: a habilidade de reescrever o DNA da organização, em resposta a novos e diversos desafios. Quando uma empresa já descobriu como transformar-se, pode – e deve – estar preparada para fazê-lo mais vezes no futuro”.
Martins falou das fases da transformação que exigem definição de estratégia, modus operandi e execução. Também alertou sobre a necessidade de observar e separar os modismos das reais rupturas, aconselhando que o melhor caminho não é, de forma alguma, esperar para ver. O palestrante citou as principais megatendências mundiais e os pontos de inovação que afetam todas as áreas. Comparou o mundo das empresas tradicionais (lugar em que reinam: processos estruturados, pensamento sequencial, pessoal próprio, planos com visão do passado, propriedade de ativos, procedimentos e disciplina) e o das exponenciais (digitalizado, desregulado, destrutivo, desmaterializado, desmonetizado, democratizado). Em sua palestra, uma mensagem muito clara: a forma de encarar-se os novos tempos vai ditar sucessos e fracassos. De novo, a atitude em relação à vida e às coisas será significativa nesse novo mundo que estamos desenhando.

10 conceitos para entender o FUTURO DOS NEGÓCIOS


• A manufatura aditiva
Adição e não subtração de material, evitando desperdícios.
• O acesso
O acesso aos recursos é mais importante do que a propriedade.
• O vencedor leva tudo
Quem inventou quer massificar – mais mercado do que margem.
• O mundo das plataformas e das redes
As novas empresas são plataformas e redes de conexão de vários públicos.
• O acqui-hire (empreender e empregar)
Comprar uma start-up antes que se torne ameaça. Melhor se juntar do que combater.
• As tecnologias disruptivas
Tecnologias que mudam repentinamente a lógica dos negócios – inovação.
• A economia da longevidade
Novas demandas de mercado e políticas públicas – de sick-care para health-care.
• A Speedfactory e o reshoring.
Velocidade, flexibilidade, custos e logística até o consumidor – o custo China.
• Os blockchain e os smarts contracts
Transações comerciais sem intermediação de uma autoridade central e cartorial.
• O teste A/B
Experimentalismo responsável de alternativas para chegar ao ideal.

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